O BEIJA MÃO
Foi lindo! Apareceu cá o Velho, o tal que domina este mundo e o outro (por isso ilustro este post com a foto de umas mão limpas... Só subtilezas).
E se o assunto são "gaijas" não há quem o bata! Assim que chegou foi um corrupio de "beija mão", eles, elas, mais eles, mais elas, um beija mão sem fim.
Isto ultrapassa a graxa normal. Pois sim, até já chamo a dita de normal porque o que aqui vi foi de ir às lágrimas.
Passo a contar:
O Velho chegou e foi logo saudado por um dos capangas, fez as exéquias da casa, dobrou-se tanto que quase dava para fazer um broche a si mesmo. Fiquei com a ideia que de repente, o capanga, se transformou num lindo tapete encarnado para que o Velho passasse por cima (é o preço a pagar).
E o mulherio? Pareciam parelhas de cavalos à solta... histéricas, lambe-botas, cínicas e sedentas de se deitar por baixo do poder, ou por cima, depende dos gostos.
Uma gritava, ria, gesticulava e chamava a atenção como se quisesse dizer ao mundo que o Velho é o seu grande amigo de sempre (sem o ser). O raciocínio da rapariga é o seguinte: Amiga do poder, poderosa sou.
Outra fumava incessantemente, com um nervoso miudinho, um olhar possessivo, uma ciumeira daquelas quase impossíveis de controlar. Enfim, recordações passadas…
Outra ainda, com ar de lapa, dizia que o Velho está com bom aspecto, boa cara, porreiro, (para quem esteve com os pés virados para a cova até não está mal de todo).
Na minha opinião ela quis dizer que a fome é tanta que até o comia (a moça não é estúpida e sabe que o poder é um bom afrodisíaco). Experiências passadas (as dela).
A última que pude observar, por motivos profissionais, tinha hora e dia marcado com O Velho Senhor (estou a falar de trabalho). Ela é que é a chefe, ela é que manda e por isso só um chefe sabe compreender as necessidades de um Poderoso… E lá foi ela dar-lhe a graxa da praxe. Muitos sorrisos, muitas piadas, muito arrastar de palavras com tom de tia de Cascais, mas com o ar indisfarçável de quem nasceu nas galinheiras.
“Portantossss”, uma mulher a sério.
O Velho lá ficou a ser lambuzado por mais quem já não vi e eu fui indo, que a minha fome era outra. Divirto-me tanto aqui que até me esqueço do trabalho.
Bora então trabalhar!